Por Jorge Silva: A concentração de riquezas mata mais do que o coronavírus


O Planeta Terra já tem um histórico de pandemias. Algumas recentes, outras há mais de um século, como a chamada Gripe Espanhola. Não estou dizendo isso para afastar outras teses que versam sobre o Novo Coronavírus. Novo por que já existe outros, esse é o 38º. Corona do latim, que quer dizer coroa. Não sou do ramo para tecer mais dethales. Porém é sabido que vários animais são portadores desses vírus e ocorrem fenômenos que o transferem para os humanos.Para nos defendermos temos que recorrer sempre à ciência. E é como diz o vulgo, nessa altura do campeonato o surgimento de um vírus ou de uma bactéria não devia mais pegar governos e grandes empresas de surpresa. Já somos mais de 07 bilhões de humanos habitando no Planeta. Todos dependentes da natureza para sobreviver. Não vivemos mais em tribos isoladas. Somos uma aldeia global. Milhões de pessoas vivem em constantes movimentos. Diversas culturas estão sendo exportadas para outras regiões, em constantes intercâmbios. Evoluímos do escambo para chamada economia de mercado. O mercado deixou de ser um ambiente físico, nos globalizamos e nos modernizamos. Criamos diversas soluções. E parece que nos esquecemos das mais importantes que garante a nossa sobrevivência nessa Terra que há poucos meses chegou a ser colocada em dúvida se realmente é redonda.
Bem, dito isto, diria que nos dias atuais me parece que o debate econômico já está tão constante quanto o relacionado aos efeitos provocados pelo próprio vírus no corpo dos series humanos. E as velhas teorias de conhecidos formuladores das principais doutrinas do pensamento econômico retornaram ao debate sem que muita gente possa perceber. Mas antes de me ater ao pensamento econômico é importante lembrar que no campo das Ciências Biológicas Charles Dawin (1809-1882) desenvolveu a teoria da seleção natural. Na economia Thomas Malthus (1766-1864) defendeu a redução da taxa de natalidade para melhor distribuir a riqueza e evitar a fome e a miséria. Adam Smith (1723-1790), na obra A Riqueza das Nações fala, na sua longa análise, da divisão social do trabalho e entre outras coisas afirmou com todas as letras que na selva só sobrevive os mais fortes e os mais habilidosos. Frederick Taylon foi quem melhor aproveitou a tese criada por Smith e desenvolveu a administração científica e deu vida a produção em serie que deu origem ao fordismo.
Quando ouvimos que a doença mata apenas velhinhos nos leva a tese de quais desses cientistas? A acumulação de riquezas e o desemprego do capital humano também nos leva a outros notórios pensadores. O debate sobre o papel do Estado na economia nos leva a outro grande doutrinador que é Jhon Mainard Keynes (1883 – 1946) e a sua recente Teoria do Emprego do Juro e da Moeda que o pensamento ultra liberal tentou fazer todo mundo esquecer que existe, mas o vírus a trouxe a ordem do dia. Assim como O Capital de Karl Mark (1818-1883), que se contrapõem a todos eles, nunca foi tão atual! O debate sobre Renda Básica e Cidadania de Eduardo Suplicy foi para a pauta ser debatido por pessoas estranhas ao tema em um momento que ninguém esperava. Quanta ironia, hein? Suplicy está entre nós muito feliz. Marx estaria ironizando e Lord Keys dando gargalhadas. Já se fala também em um novo Plano Marshall que reconstruiu a economia após a Segunda Guerra Mundial e o neoliberalismo tentou escondê-lo das novas gerações, sepultá-lo, mas o vírus o ressucitou.
Não temos tempo e espaço para ir muito além. Mas resta dizer que a concentração de riquezas mata mais do que qualquer pandemia viral. E que esse vírus não tem preconceito, mata ricos e mata pobres. Porém os mais pobres serão vítimas em número maior por ser maioria produzida pelo sistema de exclusão de oportunidades. Outro tipo de produção que o sistema capitalista produz em maior quantidade.
Portanto, é chegada a hora do Estado se fortalecer, taxar as grandes fortunas, os lucros e dividendos e distribuir não apenas renda, mas principalmente riquezas, fatores de produção que garanta a geração de renda para todos viverem com dignidade. Uma luta que o MST soube fazer e continua acertando em cheio, não empregando pessoas temporariamente, mas dando a essas pessoas, o principal, a Terra, fator de produção muito importante para construção de riquezas vitalícias.

Jorge Silva, economista, filho de agricultor familiar fundador do PT em Itiúba, militante do PT desde adolescente, Foi assessor do então deputado JAQUES WAGNER, trabalhou na liderança do PT na assembleia legislativa, foi Chefe de Gabinete da prefeita Cecília e atualmente no Bahia Produtiva.