Reforma Trabalhista na Argentina: Milei Aprova Ampliação de Jornada e Limitação de Greves

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, em meio a protestos e uma greve geral, a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei. O texto, que contempla mais de 200 artigos, introduz mudanças substanciais no sistema laboral argentino.

<i>Imagem destacada: Manifestantes protestam em Buenos Aires contra a reforma trabalhista proposta pelo governo.</i>

Principais Alterações na Legislação Laboral

A reforma permite a ampliação da jornada de trabalho diária de 8 para 12 horas e institui o banco de horas, onde as horas-extras podem ser compensadas em outra jornada sem necessariamente serem pagas. Além disso, o projeto limita a realização de greves. Durante a tramitação, o Senado removeu a cláusula que permitia o pagamento de salários com moradia ou alimentação, garantindo que a remuneração seja em dinheiro, seja em moeda nacional ou estrangeira. A Câmara, por sua vez, excluiu a possibilidade de redução de salário em 50% em casos de afastamento por licença médica. Devido a essas modificações, o projeto será novamente analisado pelo Senado.

Reações Sindicais e Justificativas Governamentais

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) da Argentina, principal central sindical do país, realizou uma paralisação nacional de 24 horas, com 90% de adesão, em protesto contra a reforma. Jorge Sola, co-secretário da CGT, argumentou que o projeto representa um retrocesso de “100 anos em direitos individuais e coletivos”, focado na transferência de recursos dos trabalhadores para o setor empregador. Em contraste, o deputado governista Gabriel Bornoroni defende que as mudanças visam formalizar 50% dos trabalhadores informais, reduzindo os custos de contratação e promovendo o avanço econômico através do trabalho.

Diferenças Regionais nas Reformas Trabalhistas

A Argentina segue um caminho distinto de países vizinhos. Enquanto no Brasil se debate o fim da jornada 6×1 sem redução salarial e no México o Senado aprovou a redução da jornada semanal de 48 para 40 horas, a reforma argentina possibilita a ampliação da jornada diária, mantendo a carga semanal de 48 horas.

Detalhes sobre a Limitação do Direito à Greve

Uma das maiores críticas dos sindicatos reside na restrição ao direito de greve. O projeto exige que as assembleias de trabalhadores em horário de trabalho tenham prévia autorização dos patrões. Além disso, estabelece diversos serviços como essenciais ou transcendentais, limitando a paralisação a 25% e 50% do total de trabalhadores empregados, respectivamente. Entre os serviços transcendentais estão a produção de bens e serviços ligados à exportação, indústria alimentar, sistema bancário e transporte de pessoas.

Outras Mudanças Propostas

A reforma revoga estatutos profissionais específicos para categorias como jornalistas, cabeleireiros e motoristas privados. Permite que empresas negociem com empregados condições de trabalho inferiores às definidas em acordos nacionais. A criação do Fundo de Assistência Laboral (FAL) também é alvo de críticas, pois, segundo sindicatos, isentaria empresas de custos de demissão e desviaria recursos da Seguridade Social. O texto ainda prevê o esvaziamento da Justiça Nacional do Trabalho, transferindo suas atribuições para a justiça comum ou federal. As férias poderão ser divididas conforme as exigências do empregador, desde que cada período tenha no mínimo 7 dias consecutivos. A reforma também disciplina o trabalho por aplicativos, classificando esses trabalhadores como “prestadores independentes”, sem reconhecimento de vínculo empregatício, e revoga a legislação sobre trabalho remoto que obrigava as empresas a custear despesas como internet, energia e equipamentos para os trabalhadores à distância.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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