<b>[IMAGEM DESTACADA]</b> <i>Legenda:</i> O levantamento da SaferNet Brasil revela o impacto alarmante dos deepfakes sexuais em ambientes escolares, destacando a manipulação de imagens por inteligência artificial e a urgência de medidas de proteção.
Um mapeamento recente conduzido pela organização SaferNet Brasil identificou 173 vítimas de deepfakes sexuais em instituições de ensino, tanto públicas quanto privadas, distribuídas em dez estados brasileiros. Os dados foram tornados públicos na capital paulista durante um evento em celebração ao Dia da Internet Segura. As deepfakes sexuais são definidas pela SaferNet como imagens ou vídeos de nudez criados por inteligência artificial (IA) generativa sem o consentimento das pessoas retratadas, configurando uma grave violação da privacidade e dignidade humana.
Contexto do Estudo e Crescimento de Crimes Cibernéticos
O relatório completo, fruto de um estudo iniciado em 2023 com monitoramento de notícias e apoio do fundo SafeOnline (gerido pelo Unicef), será lançado em março. Este levantamento ocorre em um cenário de crescente preocupação, onde as denúncias de crimes cibernéticos registraram um aumento significativo de 28%.
Perfil das Vítimas e Abrangência Nacional
A pesquisa da SaferNet Brasil, liderada por Sofia Schuring, aponta que todas as vítimas identificadas são mulheres, abrangendo tanto alunas quanto professoras. O estado de São Paulo concentra o maior número de ocorrências, com 51 vítimas, seguido por Mato Grosso e Pernambuco, ambos com 30 casos, e Rio de Janeiro, com 20. O estudo também conseguiu identificar 60 autores responsáveis por esses crimes.
Atuação da Central Nacional de Denúncias
Em paralelo ao mapeamento, a SaferNet mantém a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos. Desde 2023, este canal processou 264 links (URLs) relacionados a deepfakes sexuais e materiais artificiais de abuso sexual infantil. Conforme relatado por Sofia Schuring, “Analisamos 264 links reportados que podiam ter vínculo com o compartilhamento de deepfakes sexuais não consentidos e de materiais artificiais de abuso sexual infantil. Desses, 125 continham imagens reais de abuso sexual infantil”. A pesquisadora acrescenta que 8% do total das URLs verificadas continham conteúdo artificial de abuso e exploração sexual infantil, sendo esses links usados para hospedar conteúdos, como ferramentas de criação ou como parte de grupos de disseminação. A central também documentou dez casos de deepfakes envolvendo adultos e 20 casos de vazamento de imagens íntimas reais, que não envolveram o uso de IA.
Dinâmica da Atuação Criminosa e Medidas Propostas
A SaferNet descreve os grupos criminosos que disseminam esses conteúdos como altamente organizados, baseando suas operações em três pilares principais: bots de notificação (para alertas automatizados), plataformas de mensagens como o Telegram e fóruns na dark web. Sofia Schuring salienta que “Eles se apoiam em falhas de governança tanto das plataformas quanto do nosso sistema de fiscalização desses conteúdos”. Diante dessa realidade, a organização propõe o banimento de ferramentas de notificação e a implementação de uma “asfixia financeira” para desarticular essas redes criminosas.
Como Realizar Denúncias
Cidadãos podem denunciar crimes cibernéticos, incluindo abuso sexual infantil e crimes de ódio, de forma anônima, utilizando a Central Nacional de Denúncias da SaferNet Brasil.








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