A Polícia Civil do Amazonas deflagrou a Operação Erga Omnes, resultando na prisão preventiva de ao menos 13 indivíduos, incluindo agentes públicos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Os detidos são suspeitos de integrar um elaborado esquema de tráfico de drogas, orquestrado pela facção criminosa Comando Vermelho (CV), e de lavagem de dinheiro. Desde 2018, estima-se que o grupo tenha movimentado cerca de R$ 70 milhões, utilizando empresas de fachada para conferir legalidade aos lucros ilícitos.
Detalhes da Operação e Envolvidos
As investigações, iniciadas em agosto de 2025 (conforme a fonte), fundamentaram os pedidos de prisão preventiva. Os suspeitos são investigados por uma série de crimes, incluindo formação de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A atuação do grupo estendia-se a outros estados brasileiros, como Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí, onde mandados judiciais também foram cumpridos.
Agentes Públicos Alvos
Entre os alvos da ação policial, destacam-se Anabela Cardoso Freitas, investigadora da Polícia Civil cedida à Casa Civil municipal de Manaus como assessora técnica, e Izaldir Moreno Barros, auxiliar judiciário do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM). A reportagem buscou contato com as defesas dos mencionados e está aberta a posicionamentos.
Reações Institucionais
A Prefeitura de Manaus informou, por meio de nota, que não é alvo da operação e reafirmou seu compromisso com a legalidade e transparência, assegurando que qualquer servidor investigado responderá individualmente por seus atos. O Tribunal de Justiça do Amazonas também se manifestou, sem citar nomes, afirmando estar adotando as medidas administrativas cabíveis e reforçando seu compromisso com a integridade do Poder Judiciário, não compactuando com condutas incompatíveis com os deveres funcionais.
O Esquema de Lavagem e Tráfico
Conforme relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), os investigadores identificaram transações financeiras de alto valor realizadas por servidores públicos. A colaboração desses agentes ocorria por meio de suporte logístico, facilitação de acesso à administração pública e fornecimento de informações sigilosas, viabilizando o trânsito da organização criminosa em diferentes instituições públicas.
Modus Operandi
O grupo criminoso utilizava empresas de logística, constituídas para fins ilícitos, para distribuir drogas adquiridas em Tabatinga por todo o território nacional. A lavagem de dinheiro era realizada por meio de empresas fantasmas no Amazonas e no Pará. As investigações revelaram que essas empresas não apresentavam movimentações financeiras compatíveis com atividades lícitas, realizando transações apenas com traficantes e servidores públicos. O esquema criminoso chegou a usar até mesmo igrejas evangélicas, com um dos líderes se apresentando como evangélico e atuando em uma igreja na zona leste de Manaus, para dificultar a identificação.









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