Brasil: Líder Global em Assassinatos de Pessoas Trans e Travestis, Apesar da Queda

O Brasil mantém uma posição alarmante no cenário global da violência transfóbica, registrando o maior número de assassinatos de pessoas transexuais e travestis em todo o mundo. De acordo com a mais recente edição do dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), divulgada nesta segunda-feira (26), foram <b>80 homicídios em 2025</b>. Embora este número represente uma queda de aproximadamente 34% em relação aos 122 crimes documentados no ano anterior, o país permanece no topo desse ranking pelo 18º ano consecutivo, um testemunho sombrio da persistência da intolerância. Para Bruna Benevides, presidente da Antra e autora do relatório, esses dados não apontam para mortes isoladas, mas para uma realidade de violência extrema, exclusão social, racismo e abandono institucional que assola a população trans desde a juventude.

A Persistente Liderança em Violência Transfóbica

Apesar da redução numérica observada, a Antra alerta que a diminuição dos assassinatos não se traduz necessariamente em uma regressão da violência. O estudo aponta um preocupante aumento no número de <b>tentativas de homicídio</b>, indicando que a violência não diminuiu em intensidade, mas que mais vítimas podem ter sobrevivido. A coleta de dados para o dossiê, realizada através de monitoramento diário de notícias, denúncias diretas e registros públicos, é essencial para a organização, uma vez que, como ressalta Benevides, sem o trabalho da sociedade civil, muitas dessas mortes sequer seriam reconhecidas pelo Estado.

Perfil das Vítimas e Concentração Geográfica da Violência

A análise geográfica da violência revela que, em 2025, <b>Ceará e Minas Gerais foram os estados com maior número de assassinatos</b>, cada um registrando oito casos. A Região Nordeste, com 38 homicídios, mantém-se como o epicentro da violência, seguida pelo Sudeste (17), Centro-Oeste (12), Norte (7) e Sul (6). Um levantamento mais abrangente da Antra, cobrindo o período de 2017 a 2025, identificou São Paulo como o estado mais letal, com 155 mortes. O perfil das vítimas é predominantemente de travestis e mulheres trans, jovens, na faixa etária entre 18 e 35 anos, com maior incidência entre pessoas negras e pardas, evidenciando as interseccionalidades da discriminação.

Raízes da Violência e a Urgência de Políticas Públicas

O cenário de violência persistente é multifacetado, com o dossiê da Antra apontando fatores como a <b>subnotificação dos crimes</b>, a desconfiança nas instituições de segurança e justiça, a retração na cobertura midiática e, crucialmente, a ausência de políticas públicas específicas para o enfrentamento da transfobia. Para combater essa realidade, o relatório não apenas diagnostica, mas também propõe uma série de recomendações direcionadas ao poder público, ao sistema de justiça, à segurança pública e às instituições de direitos humanos. Bruna Benevides enfatiza que a intenção é “constranger o Estado”, informar a sociedade e quebrar o ciclo de silêncio, buscando propostas concretas que rompam com a lógica de impunidade e a escassez de recursos que marcam a vida das pessoas trans no Brasil. A entrega oficial da nona edição do Dossiê, a representantes do governo federal no Ministério dos Direitos Humanos, marca um passo importante nesse diálogo.

O Panorama Ampliado da Violência Contra a População LGBT+

Corroborando os dados da Antra, o Observatório de Mortes Violentas de LGBT+ no Brasil, do Grupo Gay da Bahia (GGB), divulgou em 18 de fevereiro um panorama que inclui toda a população LGBT+. Em 2025, foram documentadas <b>257 mortes violentas</b>, compreendendo 204 homicídios, 20 suicídios, 17 latrocínios e 16 casos por outras causas. Embora represente uma redução de 11,7% em comparação aos 291 casos de 2024, a estatística ainda se traduz em uma morte a cada 34 horas no país. O GGB reafirma a liderança do Brasil em 2025 no número de homicídios e suicídios de pessoas LGBT+ globalmente, superando países como México (40) e Estados Unidos (10), reforçando a necessidade urgente de intervenções eficazes.

Os dados apresentados pela Antra e pelo GGB reforçam a urgência de uma resposta coordenada do Estado e da sociedade civil. A persistência do Brasil no topo do ranking de violência contra pessoas trans e travestis, e contra a população LGBT+ em geral, exige mais do que apenas a constatação de números; demanda a implementação efetiva de políticas que garantam proteção, inclusão e o respeito à dignidade humana, transformando a retórica em ação concreta para assegurar a vida e os direitos de todos os cidadãos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Deixe o Seu Comentário

Compartilhe:

WhatsApp
Facebook
Telegram
Twitter
Email
Print
VEJA TAMBÉM

Vagas de emprego em São Paulo - SP

Encontre a vaga ideal em São Paulo Confira salários e avaliações de empresas.
Últimas Notícias